Se o mundo fosse de palha
Eu punha fogo no mar,
E se o mar fosse de queijo
Eu bebia até cansar,
Se água fosse de ouro
Ninguém vivia no bar,
Se peixe crescesse em árvore
Seria fácil pescar,
Se pardal comesse abelha
Que estranho seria o ar,
Se os porcos fossem limpos
Que grande e belo o luar,
Se barata desse leite
Leite ia baratear,
Se os homens ruminassem
Não viviam a se queixar,
Se as ruas caminhassem
Eu não saía do lugar,
Se fossem lá todos juntos
Ninguém pegava lugar,
Se reflexo valesse
Céu era fundo de mar,
Se os ratos fossem valentes
Gatos iam se mancar
Se 6 e 6 fossem 4
3 e 3 seriam um par.
_Millôr
19 de dezembro de 2007
13 de dezembro de 2007
A great gig in the heart
E ando amando como nunca
ouvindo coisas, sentindo peles
cheiros e texturas e umidades que nunca ninguém sentiu
até luto contra o sono
Me entreguei nos braços daquela boca
chamem de toca, bolha, o que for
daqui só saio com ela
e dentro dela quero me por.
ouvindo coisas, sentindo peles
cheiros e texturas e umidades que nunca ninguém sentiu
até luto contra o sono
Me entreguei nos braços daquela boca
chamem de toca, bolha, o que for
daqui só saio com ela
e dentro dela quero me por.
23 de novembro de 2007
Cartela de cores
Todo o meu mundo ganhou nova forma
Você mudou as cores do dia
Desde a hora em que abro os olhos
Até a hora em que os fecho
Não deixo um minuto passar
Sem perceber as novas cores
Do meu mundo
Qual a combinação que você usou?
Nesta tela abstrata em que eu estava
Você anda pintando flores e árvores
Devolveu a alma deste desenho ao acaso
Como se só aguardasse as tintas a tempos
Eu te reconheço, vem e pinta em mim
Tudo o que faltava
Este quadro é inteiro teu
Esta pintura é inteira nossa
Você mudou as cores do dia
Desde a hora em que abro os olhos
Até a hora em que os fecho
Não deixo um minuto passar
Sem perceber as novas cores
Do meu mundo
Qual a combinação que você usou?
Nesta tela abstrata em que eu estava
Você anda pintando flores e árvores
Devolveu a alma deste desenho ao acaso
Como se só aguardasse as tintas a tempos
Eu te reconheço, vem e pinta em mim
Tudo o que faltava
Este quadro é inteiro teu
Esta pintura é inteira nossa
Sobre os dizeres
Quero te dizer coisas
Que estão na ponta da língua
Mas minha língua
Vive ocupada em você...
Quero desenhar e pintar
Nesta folha em branco
Mas meus dedos vivem
Passeando distraídos pelo seu corpo
Quero botar a água pra ferver
Pra preparar seu café
Mas minhas pernas insistem
Em se entrelaçarem nas suas...
Queria até poder contar estrelas
Mas, como bem sabe, meus olhos
Estão viciados no seu rosto...
Minha adoradora de árvores...
Como dizer que eu sou tua
De um jeito que eu nunca fui?
Minha observadora noturna...
Como dizer que meus minutos
São horas longe de você?
Como dizer que “Eu te adoro”
Se tornou muito pouco
Pra esse adorar que eu sinto?
Que estão na ponta da língua
Mas minha língua
Vive ocupada em você...
Quero desenhar e pintar
Nesta folha em branco
Mas meus dedos vivem
Passeando distraídos pelo seu corpo
Quero botar a água pra ferver
Pra preparar seu café
Mas minhas pernas insistem
Em se entrelaçarem nas suas...
Queria até poder contar estrelas
Mas, como bem sabe, meus olhos
Estão viciados no seu rosto...
Minha adoradora de árvores...
Como dizer que eu sou tua
De um jeito que eu nunca fui?
Minha observadora noturna...
Como dizer que meus minutos
São horas longe de você?
Como dizer que “Eu te adoro”
Se tornou muito pouco
Pra esse adorar que eu sinto?
19 de novembro de 2007
Infinito azul
Eu me deparei com o mar,
e ela me pediu pra mergulhar.
Porque nada acontece na superfície,
não com ela.
E eu preferi assim, me atirei.
Na verdade não foi preferência.
Foi condição.
e ela me pediu pra mergulhar.
Porque nada acontece na superfície,
não com ela.
E eu preferi assim, me atirei.
Na verdade não foi preferência.
Foi condição.
9 de novembro de 2007
8 de novembro de 2007
O amor
Dizem que o amor é isso, que o amor é aquilo.
Ninguém sabe bosta nenhuma do Amor.
Porque Amor nem se escreve com A...
Amor é o esquilo em busca do seu nozes
E os nós que a gente dá na cabeça dos esquilos.
Quem nunca teve uma dor de cabeça?
Uma dor de Amor?
Quem disse que Amor tem M no meio?
Amor tem é saudade... só.
Amor que é Amor não termina com R...
Termina com eu e você na cama!
_Odete Pilares
Ninguém sabe bosta nenhuma do Amor.
Porque Amor nem se escreve com A...
Amor é o esquilo em busca do seu nozes
E os nós que a gente dá na cabeça dos esquilos.
Quem nunca teve uma dor de cabeça?
Uma dor de Amor?
Quem disse que Amor tem M no meio?
Amor tem é saudade... só.
Amor que é Amor não termina com R...
Termina com eu e você na cama!
_Odete Pilares
4 de novembro de 2007
3 de novembro de 2007
Desnudo
Essas músicas que não saem da minha cabeça,
essa cena que não sai dos meus olhos,
dou a volta ao mundo,
e paro nos teus...
Posso flutuar, sair voando
alcanço o teto e atravesso
o caminho eu já sei de cor
vou apenas seguindo o fluxo
da tua pulsação
E enquanto me distraio
olhando essa paisagem
te encontro no caminho
você já estava vindo
E entre o batente da porta
é onde vou estar
batento o pé no chão
no mesmo tom
Descalça, desnuda
esperando a menor distância
entre o meu e o teu
Quem disse que dois corpos
não ocupam o mesmo espaço
contou uma mentira deslavada...
essa cena que não sai dos meus olhos,
dou a volta ao mundo,
e paro nos teus...
Posso flutuar, sair voando
alcanço o teto e atravesso
o caminho eu já sei de cor
vou apenas seguindo o fluxo
da tua pulsação
E enquanto me distraio
olhando essa paisagem
te encontro no caminho
você já estava vindo
E entre o batente da porta
é onde vou estar
batento o pé no chão
no mesmo tom
Descalça, desnuda
esperando a menor distância
entre o meu e o teu
Quem disse que dois corpos
não ocupam o mesmo espaço
contou uma mentira deslavada...
La Môme
E se alguém me reprimir dizendo que eu brinco com a minha vida eu responderei:
"Tem-se que brincar com alguma coisa..."
"Tem-se que brincar com alguma coisa..."
31 de outubro de 2007
In the cold, cold night
I saw you standing in the corner
On the edge of a burning light
I saw you standing in the corner
Come to me again,
In the cold, cold night
In the cold, cold night
You make me feel a little older,
Like a full grown woman might
But when youre gone i grow colder,
Come to me again
In the cold, cold night
In the cold, cold night
I hear you walking by my front door
I hear the creaking of the kitchen floor
I don't care what other people say
I'm going to love you, anyway
Come to me again
In the cold, cold night
In the cold, cold night
I can't stand it any longer
I need the fuel to make my fire bright
So don't fight it any longer
Come to me again,
In the cold, cold night
In the cold, cold night
And i know that you feel it too,
When my skin turns into glue,
You will know that it's warm inside
And you'll come run to me,
In the cold, cold, night
_White Stripes entregou pra Penny Lane, que postou aqui.
On the edge of a burning light
I saw you standing in the corner
Come to me again,
In the cold, cold night
In the cold, cold night
You make me feel a little older,
Like a full grown woman might
But when youre gone i grow colder,
Come to me again
In the cold, cold night
In the cold, cold night
I hear you walking by my front door
I hear the creaking of the kitchen floor
I don't care what other people say
I'm going to love you, anyway
Come to me again
In the cold, cold night
In the cold, cold night
I can't stand it any longer
I need the fuel to make my fire bright
So don't fight it any longer
Come to me again,
In the cold, cold night
In the cold, cold night
And i know that you feel it too,
When my skin turns into glue,
You will know that it's warm inside
And you'll come run to me,
In the cold, cold, night
_White Stripes entregou pra Penny Lane, que postou aqui.
29 de outubro de 2007
Bela ordinária
Quem a bela moça pensa que é?
Atirando uma piscadela
Para o senhor na carruagem?
Pois a bela moça não hesitou
Viu o senhor, a cartola e os pneus
E com todo direito de bela moça
Pensou no Pedro sem dinheiro
No pai ignorante
Na tia esquizofrênica
Na irmã casada com um pobre
No vestido decotado
E lançou uma piscadela
de cair
a cartola
do senhor.
Atirando uma piscadela
Para o senhor na carruagem?
Pois a bela moça não hesitou
Viu o senhor, a cartola e os pneus
E com todo direito de bela moça
Pensou no Pedro sem dinheiro
No pai ignorante
Na tia esquizofrênica
Na irmã casada com um pobre
No vestido decotado
E lançou uma piscadela
de cair
a cartola
do senhor.
24 de outubro de 2007
Tecido
Não se sabe como começou, mas começou.
Em meio a um quarteirão,
um prédio envelhecido de cor Escarlate,
mantinha uma janelinha esquecida aberta
Um som delicado deslizava janela a fora,
era o som de apenas uma tecla de piano.
Talvez alguém, sentado num gasto sofá,
soprava o que lhe sobrava na alma.
_A Pianista
Em meio a um quarteirão,
um prédio envelhecido de cor Escarlate,
mantinha uma janelinha esquecida aberta
Um som delicado deslizava janela a fora,
era o som de apenas uma tecla de piano.
Talvez alguém, sentado num gasto sofá,
soprava o que lhe sobrava na alma.
_A Pianista
23 de outubro de 2007
Eros e Psique
Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.
A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,
E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.
[Fernando Pessoa]
_presente pra mim.
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.
A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,
E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.
[Fernando Pessoa]
_presente pra mim.
19 de outubro de 2007
Voodoo Girl
Her skin is white cloth,
And she's all sewn apart
And she has many colored pins
Sticking out of her heart.
She has a beautiful set
Of hypno-disk eyes,
The ones that she uses
To hypnotize guys.
She has many different zombies
Who are deeply in her trance.
She even has a zombie
Who was originally from France.
But she knows she has curse on her
A curse she cannot win.
For if someone gets
Too close to her,

The pins stick farther in
And she's all sewn apart
And she has many colored pins
Sticking out of her heart.
She has a beautiful set
Of hypno-disk eyes,
The ones that she uses
To hypnotize guys.
She has many different zombies
Who are deeply in her trance.
She even has a zombie
Who was originally from France.
But she knows she has curse on her
A curse she cannot win.
For if someone gets
Too close to her,

The pins stick farther in
18 de outubro de 2007
15 de outubro de 2007
Vai e vem
Me beija lentamente
Me toca com carinho
Me pega no colo
Me lambe o pescoço
Me puxa o cabelo
Me diz que sentiu saudades
E faz amor comigo.
Que eu te beijo
Te toco
Te pego
Te lambo
Te puxo
Te digo coisas
E faço amor contigo.
Me toca com carinho
Me pega no colo
Me lambe o pescoço
Me puxa o cabelo
Me diz que sentiu saudades
E faz amor comigo.
Que eu te beijo
Te toco
Te pego
Te lambo
Te puxo
Te digo coisas
E faço amor contigo.
10 de outubro de 2007
Se fosse
Se eu fosse um búfalo nunca iria ser pega
Se eu fosse uma lâmpada iria iluminar à meia-luz
Se eu fosse um lápis de cor seria o vermelho
Se eu fosse um diário seria o de uma louca
Continue...
Se eu fosse uma lâmpada iria iluminar à meia-luz
Se eu fosse um lápis de cor seria o vermelho
Se eu fosse um diário seria o de uma louca
Continue...
A continuação
Toda noite anuncia
um novo tear
E os sonhos nunca mais
serão sonhos de uma pessoa só
Enquanto te sinto
entrar pela janela,
não sei se é o meu corpo
que expande pra caber o seu,
ou se eu que me torno etérea
pra caber no teu.
um novo tear
E os sonhos nunca mais
serão sonhos de uma pessoa só
Enquanto te sinto
entrar pela janela,
não sei se é o meu corpo
que expande pra caber o seu,
ou se eu que me torno etérea
pra caber no teu.
5 de outubro de 2007
Coletânea
Não vira passado
Só acordando no dia seguinte
Vira presente todas as horas
Vira lembrança contínua
Vontade permanente
Dor constante
(...)
E morra quem se recupera
Porque eu, nunca.
Dias tristes, 04/2006
_saindo de dentro finalmente
Só acordando no dia seguinte
Vira presente todas as horas
Vira lembrança contínua
Vontade permanente
Dor constante
(...)
E morra quem se recupera
Porque eu, nunca.
Dias tristes, 04/2006
_saindo de dentro finalmente
4 de outubro de 2007
Triste cor-de-rosa
Lendo uma entrevista com Don Delillo, autor do livro Homem em Queda, percebi que algumas pessoas acham a tristeza atraente. O cara conta que durante o episódio do 11.09 diversas pessoas se sentiram desapontadas ao descobrir que não conheciam ninguém que tivesse morrido na tragédia. E isso me fez pensar.
A tristeza é atraente. A tristeza bucólica do romantismo, a poesia da depressão de um amor não correspondido, a busca da cura de algo machucado, a cor da dor.
Eu prefiro a dor cor-de-rosa, a dor em tons pastéis.
Aquele que nunca teve tempo de sentir dor profunda deve ser muito chato.
A tristeza é atraente. A tristeza bucólica do romantismo, a poesia da depressão de um amor não correspondido, a busca da cura de algo machucado, a cor da dor.
Eu prefiro a dor cor-de-rosa, a dor em tons pastéis.
Aquele que nunca teve tempo de sentir dor profunda deve ser muito chato.
3 de outubro de 2007
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