Um dia nessas andanças dessa vida que a gente não sabe onde vai dar eu topei meu caminho no caminho de outra pessoa. E tive certeza que era a pessoa com quem eu continuaria todas as andanças dessa vida. Essa certeza era tão certeza que eu podia continuar de olhos vendados. Só deixava aberto os olhos do coração.
E um dia sem mais nem menos os olhos do coração amanheceram fechados e eu tive que tirar a venda dos olhos da cabeça. Olhei em volta, não reconheci o caminho, não reconheci o céu, olhei pra ver meu amor e nossas mãos não estavam atadas.
Antes de perguntar onde eu estava, antes de entregar minha mão para o meu amor me pegar de volta, eu dei meia volta e desisti daquela andança dessa vida. Ficamos tão longe uma da outra que nem se eu gritasse ela me ouvia. Nem se eu subisse numa árvore, nem sinal de fumaça funcionava. E quando ela gritava, eu não ouvia.
Queria gritar várias coisas, queria poder dizer que as mãos estavam atadas mesmo sem se encostarem, que o caminho era nosso, mesmo sem a gente reconhecer. Queria dizer coisas que eu escrevia a noite, poemas que ela nunca receberia, lágrimas que ela nunca veria. Queria ouvir músicas que eram nossas e que ainda faziam sentido, lembranças guardadas que ainda davam arrepio.
Mas ela já estava longe. Longe demais pra eu fazer ela voltar, longe demais pra fazer sentido eu gritar, longe demais pra começar de novo. Eu sonhei que nada disso tinha acontecido, mas quando eu acordei, eu estava sozinha.
11 de fevereiro de 2009
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Um comentário:
Talvez, éra só ter estido a mão e pedido para ficar com você.
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